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Revolução Iraniana

A Revolução Iraniana de 1979: Causas e Impactos

A Revolução Iraniana de 1979 permanece como um dos eventos mais transformadores do século XX, marcando a transição do Irã de uma monarquia para uma república islâmica. Este post explora as complexidades e o impacto duradouro desta revolta popular.

Raízes Históricas da Revolução Islâmica: O Preâmbulo da Mudança

Para entender os eventos de 1978-79 no Irã, devemos olhar para o passado. A Revolução Constitucional Persa de 1905-1911 introduziu ideias modernas e um espírito anti-imperialista, marcando um avanço histórico ao estabelecer leis justas e buscar independência econômica.

No entanto, a interferência externa, especialmente da Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, foi marcante. Isso culminou no golpe de 1953 contra Mohammad Mosaddegh, influenciado pela CIA e MI6, evidenciando a tensão entre Mosaddegh e Mohammad Reza Shah.

Revolução Iraniana: Imagem retirada do site lawliberty

Mīrzā Malkom Khan, um reformista persa com profundo conhecimento das escolas liberais francesas e inglesas, foi pioneiro na introdução de conceitos fundamentais para o desenvolvimento de um sistema constitucional no Irã. Ele advogou pela racionalização do governo, separação de poderes e uma legislação sob a tutela de um autocrata esclarecido. Os escritos de Malkom Khan inspiraram a reforma, sugerindo uma assembleia que moldaria leis para reestruturar a Pérsia. Leia mais.

Todavia, é crucial notar que os ideais de justiça e direitos iguais, ressonantes nas demandas reformistas do século 19 e na pregação dos clérigos, encontraram uma nova expressão nas aspirações por justiça social e igualdade cidadã, inspiradas pela Revolução Francesa e por outros movimentos de reforma islâmica​.

Modernização e Descontentamento: O Duplo Gume da Revolução Branca

A Revolução Branca, iniciada em 1963 sob o comando de Mohammad Reza Shah, marcou um período agressivo de modernização no Irã. As reformas desmantelaram a influência das classes proprietárias de terras tradicionais, alterando economias rurais e conduzindo a uma urbanização e ocidentalização rápidas​. Essa modernização trouxe um sucesso econômico visível, mas sua distribuição desigual fomentou tensões sociais e mudanças normativas profundas.

Mohammad Reza Shah: Imagem retirada do site watchonista

A implementação da reforma agrária, que pretendia redistribuir terras a milhões de famílias, embora inicialmente bem recebida, logo encontrou obstáculos significativos. A falta de um sistema de suporte abrangente para os novos agricultores levou ao fracasso de muitas novas fazendas e à migração em massa para as cidades, exacerbando o desemprego e a degradação das estruturas familiares tradicionais​​.

A tentativa de diminuir a autonomia tribal, promover reformas sociais e legais e a emancipação feminina representou o progresso daquela era. Contudo, tais medidas geraram resistência, principalmente dos líderes xiitas, que as consideravam incompatíveis com os valores islâmicos.

Repressão e Resistência: As Sombras da Modernidade no Irã

Nos anos que antecederam a Revolução Iraniana, o Irã, sob a liderança de Mohammad Reza Shah, enfrentou uma crise econômica marcada pela instabilidade monetária global e pelas flutuações no consumo de petróleo. Esta crise econômica exacerbou a insatisfação social, desencadeando uma onda de descontentamento que se espalhou por diversas camadas da sociedade iraniana​.

Crise econômica Iraniana

Em resposta à crise e à crescente dissidência política, o regime do xá implementou medidas repressivas. A SAVAK, serviço secreto e de inteligência iraniano, protegeu o regime do xá através da prisão, tortura e execução de muitos dissidentes​. Estas ações não somente falharam em silenciar as vozes críticas, mas também atiçaram as chamas da revolução, alimentando a resistência contra o governo.

Enquanto, a Revolução Branca do xá, apesar de angariar apoio de alguns, enfrentou oposição política por reformas consideradas superficiais. Além disso, houve críticas religiosas que viam a ocidentalização como contrária ao Islã. A resistência ao xá também derivava de sua liderança autocrática, corrupção, a injusta distribuição da riqueza petrolífera, a ocidentalização imposta e as ações repressivas da SAVAK contra dissidentes.

A Faísca da Revolução: O Estopim de uma Nação

A Revolução Iraniana do Irã foi deflagrada por um evento aparentemente menor, mas carregado de significado. Por isso, em 8 de janeiro de 1978, um artigo no Ettelaat, jornal oficial, atacou Ayatollah Ruhollah Khomeini. Acusou-o de ser um espião britânico, colocando em dúvida sua origem iraniana e qualificações religiosas. Tal ato inflamou a opinião pública, particularmente entre estudantes religiosos e desempregados, que já enfrentavam a crescente desigualdade social e a ocidentalização forçada.

Os protestos, inicialmente contidos, rapidamente ganharam força, atraindo o apoio de comerciantes e espalhando-se por várias cidades​. A resposta inicial do xá foi oscilante, mas as forças do governo logo recorreram à violência, exacerbando a situação. Em Eram Square, a polícia abriu fogo contra a multidão, resultando em mortes e feridos​.

As notícias desses confrontos violentos se espalharam pelo país, desencadeando uma sequência de eventos que culminariam na queda do xá. As cerimônias de luto, que ocorreram 40 dias após os primeiros protestos, forneceram mais um pretexto para novas manifestações, perpetuando um ciclo de protestos e repressão que continuou a ganhar força ao longo de 1978​.

O Clímax da Crise

À medida que as manifestações contra o regime do xá se intensificavam em 1978, o governo iraniano declarou lei marcial. A tensão alcançou um ponto crítico em 8 de setembro, quando milhares se reuniram na Praça Jaleh em Teerã para um protesto religioso, sem saber que a lei marcial havia sido decretada no dia anterior.

A reunião pacífica foi tragicamente transformada em um banho de sangue quando o exército abriu fogo indiscriminadamente, resultando em inúmeras mortes​. Conhecido como Sexta-Feira Negra, este evento é visto como o ponto de não retorno para a revolução, unificando a oposição e radicalizando ainda mais o movimento de protesto​.

Nos meses seguintes, uma greve geral em outubro paralisou a vital indústria petrolífera do Irã. A pressão pública e os protestos em massa alcançaram o auge, levando à partida do xá em janeiro de 1979 e deixando um vácuo de poder que Khomeini, do exílio, estava pronto para preencher​.

Conclusão

A Revolução Iraniana é um testemunho do poder do povo em face da opressão e da importância da liderança carismática. As reverberações dessa revolta são sentidas até hoje, e seu estudo continua a oferecer insights valiosos sobre a política do Oriente Médio e as lutas por autodeterminação.

Fontes: taipei times britannica

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